O que isso tem a ver com música? Três estudos sobre racismo, colonialidade e branquitude é o livro mais recente publicado pela Editora UEMG.
Organizada por Eduardo Pires Rosse, a obra apresenta três pesquisas com recortes e perspectivas metodológicas distintas, mas que trazem em comum o debate sobre as implicações da racialidade e da colonialidade no campo musical.
Em “Separar ou não o autor da obra? – racialização na História da música brasileira (1926) de Renato Almeida”, o primeiro dos três estudos, Jonatha Maximiano do Carmo analisa como a obra do musicólogo Renato Almeida colaborou para a construção de uma ideia de brasilidade vinculada à mestiçagem, numa perspectiva que reforça as hierarquias raciais, inferioriza as expressões negras e originárias e estimula ideais de embranquecimento no país.
Já o segundo capítulo, “Instrumento de poder – violinismo e hegemonia da música de concerto em uma perspectiva decolonial”, escrito por Luiza Gaspar Anastácio, revela como a tradição musical de concerto perpetua processos de exclusão de expressões culturais não europeias, demonstrando como as escolas de música do Brasil e de outros países da América Latina naturalizam o eurocentrismo, e propõe alternativas para descolonizar os currículos no campo musical.
Por fim, no terceiro estudo, intitulado “Era uma vez a princesa Claudia, a rainha Daniela e a menina Ivete – performances da branquitude no Axé”, Mariana Maria Santos de Carvalho parte de performances de três artistas brancas do Axé brasileiro para analisar e problematizar a forma como o imaginário branco se relaciona e se apropria de expressões da cultura afro-brasileira.
Faça o download gratuito da obra no link: bit.ly/o-que-isso-tem-a-ver-com-musica.